01 Setembro 2009

"Entre o Malandro e o Trágico"





título: Entre o Malandro e o Trágico [2009]
autor: Hugo Milhanas Machado
isbn: 978-989-88055-07-1
formato (mm): 130x180 [com badanas de 80]

Impressão a CMYK.
Plastificação mate
Cartolina 240 gr.

editor: Sombra do Amor - Edições
impressor: Publidisa

designer: Ilídio J.B. Vasco

nota: Entre o Malandro e o Trágico é um volume de poemas precioso. Palavras cadenciadas sílaba a sílaba com a intenção autoral de um efeito preciso. Um livro tesouro onde a acção do tempo deixou marcas indeléveis. O negro, sei-o, é preferência do poeta e, de certa forma, um regresso ao passado. As guardas transportam para o interior do livro essas marcas temporais. A utilização da fonte Bulmer, a resposta inglesa à Didot francesa e à Bodoni italiana, desenhada em 1792 por William Martin, é decisiva para o design arcaico que se procurava.

A 17 de Novembro de 2007 num post aqui no KapaemDesign, a propósito justamente dum outro livro de Hugo Milhanas Machado – Clave do Mundo, falava-se da relação entre designer e autor no que diz respeito à criação e design da capa de um livro.
No último parágrafo lia-se: «Contudo, e pelo que a experiência me ensina, o autor é o personagem que menos complica. O editor, esse sim, pode complicar bastante. Mas isso fica para outro post!». Ora, quase dois anos depois, chega o «outro post».
No caso de Entre o Malandro e o Trágico, o editor da Sombra do Amor – Edições (chancela que publica o volume de poemas) é, também ele, um bom amigo – Nuno Silva. Desde o início da nossa colaboração sempre tive da parte do Nuno uma grande liberdade para desenhar as capas ao meu estilo, acabando por se confundir (no bom sentido) o estilo da Sombra, com o meu. Talvez seja por isso que os livros do Nuno têm um lugar especial na prateleira lá de casa…

Nos meus trabalhos mais mainstream que executo para outras casas editoriais, a relação com o editor tende a ser mais formal. A capa do livro tem de comunicar, sempre, o mais possível. Não vejo qualquer problema com isso, é, aliás, o desejável. Contudo, não raras vezes, a necessidade de GRITAR o livro é tanta, que a estética é comprometida. Sabemos que é função do designer resolver esses problemas, mas convínhamos, são apenas designers não são mágicos. Quando é imposto que haja, por exemplo, seis hierarquias tipográficas numa capa, o nosso trabalho fica, realmente, comprometido.

Outra questão fundamental nesta relação editor-designer, é a qualidade do briefing. A nossa sempre inesgotável wikipédia (para não ir mais longe) diz: «O briefing é um conjunto de informações passadas numa reunião para o desenvolvimento de um trabalho. O briefing deve criar um roteiro de acção para criar a solução que o cliente procura, é como mapear o problema, e com estas pistas, ter ideias para criar soluções». O briefing não será, portanto, um conjunto de indicações mais ou menos genéricas, desgarradas e descontextualizadas. É, sim, um espaço de diálogo onde o designer procura conhecer o objecto e a expectativa do cliente de forma a apresentar propostas certeiras e eficazes. Neste processo, deve (digo eu!) ser dada «margem de manobra» ao designer para ultrapassar certos limites. A maior parte das vezes o resultado será mais satisfatório. Quando o briefing é pobre, o resultado será, em princípio, pobre. A responsabilidade do resultado é conferida ao designer que deveria ter poderes mágicos e executar uma proposta que, embora nada tivesse que ver com o briefing, fosse um certeiro tiro no alvo.
O mais interessante é que muitas vezes a magia acontece e o cliente fica com a ilusão que o seu pobre briefing é suficiente. Assim, quando o pó de perlim-pim-pim acaba, e o designer não acerta, a responsabilidade é dele, que não entendeu o que se quis dizer.

Mas briefings à parte, a forma como, realmente, as capas deveriam ser pensadas, executadas e apresentadas está nesta entrevista de Chip Kid, director artístico da Knopf (onde começou em 1986) e freelancer para outras casas editoriais:
Doubleday, Farrar Straus & Giroux, Grove Press, HarperCollins, Penguin/Putnam, Scribner e Columbia University Press. É dele o design de Jurassic Park de Michael Crichton que foi, mais tarde, usado na adaptação cinematográfica realizada por Steven Spielberg.



Chip Kid ganhou o direito de poder escolher os livros que quer «desenhar» e a forma como os quer conceber. Mas Chip Kid…, é Chip Kid!

31 Agosto 2009

PRÉMIOS LEMNISCATA

Agradecer, antes de mais e mais uma vez, pela simpatia do Pedro em distinguir o KapaemDesign com o prémio Lemniscata. Fui ver o regulamento: ao que parece sou indiciado a escolher 7 blogues que ache dignos de tamanho galardão. Assim, e porque em lugar algum diz que não se pode repetir premiados:

Montag
de Pedro Marques
Designlab de Pedro Amado
Book Covered de Tobias
Que isto assim assim inove de Hugo Milhanas Machado
A Vida Não É Um Sonho de Jorge Silva
Cooperativa Literária [blog] de Cooperativa Literária
Trama [blog] de Livraria Trama

Só não nomeei o blog do Sandro Lopes pois o Pedro antecipou-se. O Montag, Designlab e Book Covered são os blogues que mais acompanho na área do design. O Que isto assim assim inove é a merecida referência ao amigo poeta. O A Vida Não É Um Sonho, blog com perspicazes notas sobre os bons (ou maus) filmes do momento. Ao blog da Cooperativa Literária não deverei fazer comentários..., mas é um projecto a não perder de vista. A Trama é um belo espaço, fisíco e virtual.

Aproveito, ainda, para agradecer ao Nuno Seabra a simpática referência no Blogtailors. É bom saber que os nossos posts vão fazendo eco.


25 Agosto 2009

"Digam-me como é uma árvore"





título: Digam-me como é uma árvore [2009]
autor: Marcos Ana
isbn: 978-989-8174-33-8
formato (mm): 150x230 [com badanas de 100]

Impressão a CMYK.
Plastificação mate com verniz UV
Cartolina 240 gr.

editor: Guerra & Paz
impressor: Tilgráfica

designer: Ilídio J.B. Vasco

nota: Em Digam-me Como É Uma Árvore, Marcos Ana desfia as suas memórias da prisão, do exílio e da luta pela liberdade. O autor, grande poeta e humanista espanhol nascido em uma aldeia perto de Salamanca (terra de adopção do amigo poeta Hugo Milhanas Machado), narra os 23 anos que passou preso, a recuperação da liberdade, o seu exílio em França e o desenvolvimento de uma enorme actividade solidária para com os presos políticos espanhóis, a qual o levou aos quatro cantos do mundo.
Testemunho excepcional de um homem que se transformou em símbolo da solidariedade internacional e da luta antifranquista, este livro é uma oportunidade para recuperar um importante pedaço da história recente de Espanha e um manifesto pela liberdade, pelo respeito dos direitos humanos e pela tolerância entre homens.
Digam-me como É Uma Árvore é um testemunho cru duma realidade cujos os portugueses também viveram, ainda que com protagonistas diversos. A capa e o projecto gráfico deste livro foram bastante apurados, no sentido em que houve bastante tempo para trabalhar a solução final que acabou por ser consensual:



A capa original (espanhola) apresenta o motivo que vem expresso no subtítulo "Memória de la prision y la vida" associado à figura do autor, rosto relativamente conhecido em Espanha. A edição portuguesa não poderia usar-se do mesmo motivo, visto a figura de Marcos Ana não ser tão reconhecível para o público português. Assim, optei por seguir o motivo dado no título. A impossibilidade que 23 anos de cárcere implicam num homem..., de não saber como é uma árvore, de desconhecer a natureza e o mundo.
A opção de usar imagens vectoriais (silhuetas) que permitissem uma palete de cores reduzida foi vista, desde o início, como uma estética que permitiria executar uma capa minimalista, como surgiu noutras peças de design dos anos 80 nos EUA, a redução cromática e de detalhes acabaria por passar a ideia de privação.
A árvore seria incontornável. Precisávamos, ainda, do motivo "prisão", ou "cárcere", como ficou na versão portuguesa. Grades de prisão seria o mais óbvio, mas não resultava graficamente, assim, o arame farpado, que é repetido nas cortinas da paginação anterior, acabou por imprimir à capa o que faltava para ela resultar.

"O Segredo de um Casamento"



título: O Segredo de um Casamento [2009]
autor: Rui Simões
isbn: 978-989-8174-38-3
formato (mm): 150x230 [com badanas de 100]

Impressão a CMYK.
Plastificação brilhante
Cartolina 240 gr.

editor: Guerra & Paz
impressor: Tilgráfica e António Coelho Dias

designer: Ilídio J.B. Vasco

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