

título: Entre o Malandro e o Trágico [2009]
autor: Hugo Milhanas Machado
isbn: 978-989-88055-07-1
formato (mm): 130x180 [com badanas de 80]
Impressão a CMYK.
Plastificação mate
Cartolina 240 gr.
editor: Sombra do Amor - Edições
impressor: Publidisa
designer: Ilídio J.B. Vasco
nota: Entre o Malandro e o Trágico é um volume de poemas precioso. Palavras cadenciadas sílaba a sílaba com a intenção autoral de um efeito preciso. Um livro tesouro onde a acção do tempo deixou marcas indeléveis. O negro, sei-o, é preferência do poeta e, de certa forma, um regresso ao passado. As guardas transportam para o interior do livro essas marcas temporais. A utilização da fonte Bulmer, a resposta inglesa à Didot francesa e à Bodoni italiana, desenhada em 1792 por William Martin, é decisiva para o design arcaico que se procurava.
A 17 de Novembro de 2007 num post aqui no KapaemDesign, a propósito justamente dum outro livro de Hugo Milhanas Machado – Clave do Mundo, falava-se da relação entre designer e autor no que diz respeito à criação e design da capa de um livro.
No último parágrafo lia-se: «Contudo, e pelo que a experiência me ensina, o autor é o personagem que menos complica. O editor, esse sim, pode complicar bastante. Mas isso fica para outro post!». Ora, quase dois anos depois, chega o «outro post».
No caso de Entre o Malandro e o Trágico, o editor da Sombra do Amor – Edições (chancela que publica o volume de poemas) é, também ele, um bom amigo – Nuno Silva. Desde o início da nossa colaboração sempre tive da parte do Nuno uma grande liberdade para desenhar as capas ao meu estilo, acabando por se confundir (no bom sentido) o estilo da Sombra, com o meu. Talvez seja por isso que os livros do Nuno têm um lugar especial na prateleira lá de casa…
Nos meus trabalhos mais mainstream que executo para outras casas editoriais, a relação com o editor tende a ser mais formal. A capa do livro tem de comunicar, sempre, o mais possível. Não vejo qualquer problema com isso, é, aliás, o desejável. Contudo, não raras vezes, a necessidade de GRITAR o livro é tanta, que a estética é comprometida. Sabemos que é função do designer resolver esses problemas, mas convínhamos, são apenas designers não são mágicos. Quando é imposto que haja, por exemplo, seis hierarquias tipográficas numa capa, o nosso trabalho fica, realmente, comprometido.
Outra questão fundamental nesta relação editor-designer, é a qualidade do briefing. A nossa sempre inesgotável wikipédia (para não ir mais longe) diz: «O briefing é um conjunto de informações passadas numa reunião para o desenvolvimento de um trabalho. O briefing deve criar um roteiro de acção para criar a solução que o cliente procura, é como mapear o problema, e com estas pistas, ter ideias para criar soluções». O briefing não será, portanto, um conjunto de indicações mais ou menos genéricas, desgarradas e descontextualizadas. É, sim, um espaço de diálogo onde o designer procura conhecer o objecto e a expectativa do cliente de forma a apresentar propostas certeiras e eficazes. Neste processo, deve (digo eu!) ser dada «margem de manobra» ao designer para ultrapassar certos limites. A maior parte das vezes o resultado será mais satisfatório. Quando o briefing é pobre, o resultado será, em princípio, pobre. A responsabilidade do resultado é conferida ao designer que deveria ter poderes mágicos e executar uma proposta que, embora nada tivesse que ver com o briefing, fosse um certeiro tiro no alvo.
O mais interessante é que muitas vezes a magia acontece e o cliente fica com a ilusão que o seu pobre briefing é suficiente. Assim, quando o pó de perlim-pim-pim acaba, e o designer não acerta, a responsabilidade é dele, que não entendeu o que se quis dizer.
01 Setembro 2009
"Entre o Malandro e o Trágico"
Assinar:
Postar comentários (Atom)


2 comentários:
«Entre o Malandro e o Trágico» - qual intervalo para tantos editores!
Muito agradeço a generosidade Ilídio, tem sido um prazer partilhar estes livros com o teu bom-gosto e profissionalismo.
E muito interessante a reflexão!
Um abraço, H
Postar um comentário